Nada sou, logo sou

NIHIL SUM, ERGO SUM

Man of Constant Sorrow

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I am a man of constant sorrow
I’ve seen trouble all my days
I’ll say goodbye to River City
Where I was born and partly raised

Ma’ mother says that I’m a dreamer
the world I’ll never get to know,
but there’s one promise, darling,
I’ll sail around till day I’ll go.

Through this open world I’m about to wander
Through sands and snows, storms and rains,
I’m gonna ride that secret highroad,
Perhaps I’ll die when reach it’s end.

I’m going down to El Dourado
the place where I come dreaming from
If I had known how sad it was here
Maybe I never would have come.

[versão própria de música tradicional estadounidense]

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Written by Alexandre Sayd

20 outubro, 2011 at 8:06 pm

Publicado em Sem categoria

Pesadelo

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Acordei de um pesadelo horrível com gosto da morte na boca.

Sonhei com minha velha casa em Macaé, que meus pais construíram, onde morei com meus três irmãos mais novos durante a maior parte da minha vida. A casa não estava velha, mas em ruínas, e a maioria dos cômodos nem podia mais ser adentrada, o piso de tábua corrida parecia fofo, prestes a ceder, mas a paisagem era a mesma de 20 anos atrás. Lamentei profundamente pelos meus sonhos de menino, pelas minhas noites de amor, pelas refeições com a família inteira que não temos mais, pelo meu passado inteiro soterrado, o que foi e o que não foi enfim. Senti o cheiro da ventania, ouvi as amendoeiras balançando na rua, a piscina ainda estava lá, ainda que suja e com a água verde… mas o corrimão soltava a um toque meu, a janela não abria mais (e pendia perigosamente para fora da casa), o teto inteiro ameaçava cair sobre mim. Por um momento desesperado pensei “onde estão? com quem estão as plantas da casa?”, ela precisava ser reconstruída idêntica. Era um sonho, gente.

Despertei para a frieza da vida real: a casa que não vejo desde 2008 foi vendida há algumas semanas e tudo que eu vivi por lá hoje existe apenas na fotografia, na minha memória cada vez pior e na de meus amigos.

 

“Mas como dói.”

 

……………………………………………..

DEMOLIÇÃO

[Francis Hime / Carlos Queiroz Telles]

As telhas já estão pesando

Sobre esta casa cansada
Em silêncio ela espera
A hora de ser julgada.

Avenidas se debruçam
Sobre a casa condenada
A cidade é muito grande
Uma casa não é nada.

Uma casa é só o rosto
De um sorriso de criança
De uma noite de agonia
De um dia de esperança
De um vazio de ternura
Que nem chega a ser lembrança.

Written by Alexandre Sayd

13 março, 2011 at 10:24 am

Publicado em Biográfico, Crônica

poema dadaísta

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de que me vale todo este sangue que vejo
se o céu azul
é mais azul que qualquer vermelho de mim mesmo?

mariposas durante o dia,
beija-flores ao entardecer,
pequeninas flores sob a luz da lua.

e os olhos escutam tudo;
são enormes e ouvem tudo
fechados como morcegos.

Written by Alexandre Sayd

7 janeiro, 2011 at 5:36 pm

Publicado em Devaneio, Poesia

diálogo

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– você nunca escreveu poemas?

– me lembro de ter escrito um

mas não sei mais como era

Written by Alexandre Sayd

5 janeiro, 2011 at 8:31 pm

Publicado em Biográfico, Poesia

“Vendo a minha rosca”

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Saída do metrô. Entrada do cinema. Um homem vende roscas na rua gritando:
“Gente, olha o cheiro da minha rosca! Aproveita, pessoal, acabei de queimar a minha rosca e ela está quentinha! Olha o cheirinho da minha rosca! Minha rosca é sequinha e cheirosa e todo mundo come! Minha rosca é de comer de quatro! Eu levanto todo dia às 5 horas da manhã só pra queimar a rosca!”

Written by Alexandre Sayd

17 dezembro, 2010 at 4:43 pm

Publicado em Biográfico, Crônica

aviso

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Quem estiver contra mim
estará perdido,
pois me acompanha um exército de anjos.
E se eu estiver vazio de Deus,
então Deus não se achará em parte alguma.

No meu inferno
habitam outros
que o merecem mais do que eu.

Written by Alexandre Sayd

13 dezembro, 2010 at 10:23 am

Publicado em Devaneio, Poesia

,

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o certo

deve vir de alguma certeza fundamental e absoluta…

 

e o certo

está acima de acertos

está acima das demissões

e contratos

e não tem nada a ver com a resposta

certa para cada questão

de múltipla escolha,

livros de história ou livros

de fotografia

 

o certo não é a biologia

o certo não é a filosofia

 

é certo que é tão incerto que até vicia

 

Written by Alexandre Sayd

29 novembro, 2010 at 8:21 pm

Publicado em Devaneio, Poesia