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NIHIL SUM, ERGO SUM

Pesadelo

com 4 comentários

Acordei de um pesadelo horrível com gosto da morte na boca.

Sonhei com minha velha casa em Macaé, que meus pais construíram, onde morei com meus três irmãos mais novos durante a maior parte da minha vida. A casa não estava velha, mas em ruínas, e a maioria dos cômodos nem podia mais ser adentrada, o piso de tábua corrida parecia fofo, prestes a ceder, mas a paisagem era a mesma de 20 anos atrás. Lamentei profundamente pelos meus sonhos de menino, pelas minhas noites de amor, pelas refeições com a família inteira que não temos mais, pelo meu passado inteiro soterrado, o que foi e o que não foi enfim. Senti o cheiro da ventania, ouvi as amendoeiras balançando na rua, a piscina ainda estava lá, ainda que suja e com a água verde… mas o corrimão soltava a um toque meu, a janela não abria mais (e pendia perigosamente para fora da casa), o teto inteiro ameaçava cair sobre mim. Por um momento desesperado pensei “onde estão? com quem estão as plantas da casa?”, ela precisava ser reconstruída idêntica. Era um sonho, gente.

Despertei para a frieza da vida real: a casa que não vejo desde 2008 foi vendida há algumas semanas e tudo que eu vivi por lá hoje existe apenas na fotografia, na minha memória cada vez pior e na de meus amigos.

 

“Mas como dói.”

 

……………………………………………..

DEMOLIÇÃO

[Francis Hime / Carlos Queiroz Telles]

As telhas já estão pesando

Sobre esta casa cansada
Em silêncio ela espera
A hora de ser julgada.

Avenidas se debruçam
Sobre a casa condenada
A cidade é muito grande
Uma casa não é nada.

Uma casa é só o rosto
De um sorriso de criança
De uma noite de agonia
De um dia de esperança
De um vazio de ternura
Que nem chega a ser lembrança.

Escrito por Nada Sou

13 março, 2011 às 10:24 am

Publicado em Biográfico, Crônica

4 Respostas

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  1. Angustiante.

    Vida que segue.

    Lucas

    13 março, 2011 em 10:09 pm

  2. Excelente. “Angustiante”.
    Nunca pare de escrever.

    M.J.

    22 abril, 2011 em 12:04 am

  3. Os sonhos em sua estranheza, me parecem uma poesia que já vem pronta.

    Quem é você, nada sou? Nos conhecemos?

    marceloatahualpa

    14 julho, 2011 em 10:23 am

  4. Sim, Marcelo. Nos conhecemos. Me identifiquei no seu facebook. Abraços.

    Nada Sou

    14 julho, 2011 em 11:56 am


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