Man of Constant Sorrow
I am a man of constant sorrow
I’ve seen trouble all my days
I’ll say goodbye to River City
Where I was born and partly raised
Ma’ mother says that I’m a dreamer
the world I’ll never get to know,
but there’s one promise, darling,
I’ll sail around till day I’ll go.
Through this open world I’m about to wander
Through sands and snows, storms and rains,
I’m gonna ride that secret highroad,
Perhaps I’ll die when reach it’s end.
I’m going down to El Dourado
the place where I come dreaming from
If I had known how sad it was here
Maybe I never would have come.
[versão própria de música tradicional estadounidense]
Pesadelo
Acordei de um pesadelo horrível com gosto da morte na boca.
Sonhei com minha velha casa em Macaé, que meus pais construíram, onde morei com meus três irmãos mais novos durante a maior parte da minha vida. A casa não estava velha, mas em ruínas, e a maioria dos cômodos nem podia mais ser adentrada, o piso de tábua corrida parecia fofo, prestes a ceder, mas a paisagem era a mesma de 20 anos atrás. Lamentei profundamente pelos meus sonhos de menino, pelas minhas noites de amor, pelas refeições com a família inteira que não temos mais, pelo meu passado inteiro soterrado, o que foi e o que não foi enfim. Senti o cheiro da ventania, ouvi as amendoeiras balançando na rua, a piscina ainda estava lá, ainda que suja e com a água verde… mas o corrimão soltava a um toque meu, a janela não abria mais (e pendia perigosamente para fora da casa), o teto inteiro ameaçava cair sobre mim. Por um momento desesperado pensei “onde estão? com quem estão as plantas da casa?”, ela precisava ser reconstruída idêntica. Era um sonho, gente.
Despertei para a frieza da vida real: a casa que não vejo desde 2008 foi vendida há algumas semanas e tudo que eu vivi por lá hoje existe apenas na fotografia, na minha memória cada vez pior e na de meus amigos.
“Mas como dói.”
……………………………………………..
DEMOLIÇÃO
[Francis Hime / Carlos Queiroz Telles]
As telhas já estão pesando
Sobre esta casa cansada
Em silêncio ela espera
A hora de ser julgada.
Avenidas se debruçam
Sobre a casa condenada
A cidade é muito grande
Uma casa não é nada.
Uma casa é só o rosto
De um sorriso de criança
De uma noite de agonia
De um dia de esperança
De um vazio de ternura
Que nem chega a ser lembrança.
poema dadaísta
de que me vale todo este sangue que vejo
se o céu azul
é mais azul que qualquer vermelho de mim mesmo?
mariposas durante o dia,
beija-flores ao entardecer,
pequeninas flores sob a luz da lua.
e os olhos escutam tudo;
são enormes e ouvem tudo
fechados como morcegos.
diálogo
- você nunca escreveu poemas?
- me lembro de ter escrito um
mas não sei mais como era
“Vendo a minha rosca”
Saída do metrô. Entrada do cinema. Um homem vende roscas na rua gritando:
“Gente, olha o cheiro da minha rosca! Aproveita, pessoal, acabei de queimar a minha rosca e ela está quentinha! Olha o cheirinho da minha rosca! Minha rosca é sequinha e cheirosa e todo mundo come! Minha rosca é de comer de quatro! Eu levanto todo dia às 5 horas da manhã só pra queimar a rosca!”
aviso
Quem estiver contra mim
estará perdido,
pois me acompanha um exército de anjos.
E se eu estiver vazio de Deus,
então Deus não se achará em parte alguma.
No meu inferno
habitam outros
que o merecem mais do que eu.
,
o certo
deve vir de alguma certeza fundamental e absoluta…
e o certo
está acima de acertos
está acima das demissões
e contratos
e não tem nada a ver com a resposta
certa para cada questão
de múltipla escolha,
livros de história ou livros
de fotografia
o certo não é a biologia
o certo não é a filosofia
é certo que é tão incerto que até vicia
Diálogo
Poeta: eu quero ela, Sabrina.
Sabrina: eu sei como é sentir isso.
Poeta: não como eu quero ela.
eu já quis muitas mulheres.
muito.
umas mais que as outras,
mas essa mais que todas.
não sei se sabe como é, mas duvido.
…
tão egocêntrico, né?